Na relação
com seu (a) parceiro (a) você:
1- Vigia todos os passos
2- Controla os amigos
3- Desdobra-se para mantê-lo ao seu lado
4- Cerceia a liberdade do outro
5- Fantasia coisas.
6- Briga com freqüência
7- Se ele marca um horário e se atrasa 5 min você já
desconfia.
Se você apresentar a maioria das características relacionadas acima,
cuidado, pode estar sofrendo de ciúme exagerado, doentio.
Você está sufocando a relação e pode por fim ao
relacionamento. Ter ciúme, zelo e interesse pelo parceiro é
natural e compreensível, até saudável, mas existe uma
limitação. Não podemos nos apropriar do amor do outro. O
amor é uma conquista de cada dia.
O ciúme doentio cega a pessoa e impede que o limite e a individualidade
do parceiro sejam reconhecidos e respeitados. O ciúme atinge
homens e mulheres, mas há certa diferença: A mulher
facilmente grita para salvar a relação, o homem reage menos.
Este mal que “mata” a relação está diretamente relacionado
com a auto – estima e a insegurança. Sentir ciúmes dentro
dos limites desejados, mantém as pessoas zelosas e atentas
com a relação e consigo mesma, sem empobrecer o amor.Quando
bem empregado, tempera o relacionamento.
A melhor forma para lutar contra o ciúme é a busca da auto-segurança e do
amor-próprio.
Aprenda a dosar o ciúme. Não coloque de lado o que dá prazer
no relacionamento para ficar espreitando, espionando fatos e
coisas e buscando infidelidades onde, talvez, nem exista.
Procure estar sempre perto da pessoa que ama. Não para
controlar, mas sim para participar mais da vida dela. E,
principalmente, abasteça-se de si mesma e partilhe com o
outro o que tiver de melhor. Para se manter um
relacionamento saudável, a pessoa tem que ter paz de
espírito, estar de bem com o mundo, mostrar-se viva e feliz.
Faça uma auto-análise, verifique que tipo de relacionamentos você tem
estabelecido em sua vida, que tipo contribuições você tem
deixado nos relacionamentos, que tipo de pessoa você é.
Sendo ciumenta(o) demais você corre o risco de seu parceiro se encher da
"marcação cerrada" e "colocar as pernas para correr".
Sentimento de posse e medo (da perda da exclusividade, da
ameaça da entrada de uma terceira pessoa na relação) se
misturam disfarçadas em ciúme.
Quem sofre de ciúme doentio vê fantasmas em todos os cantos, nos menores
gestos e olhares mais inocentes... O medo de perda não é uma
coisa racional e, sim, ligada à emoção. Parte dos portadores
de ciúme doentio tem uma história familiar complicada. Ciúme
doentio quase sempre acaba levando o outro, objeto da
espécie de amor exclusivista, ao desespero. Um dos problemas
que uma pessoa ciumenta causa: expor as parceiras a
situações, no mínimo, embaraçosas. Muitas vezes sem
intenção, é claro, já que ele não consegue colocar limites
em seus sentimentos e faz qualquer coisa para não perder. E
é aí que mora o perigo: suas atitudes acabam por afastar,
cada vez mais, o amado.Afinal, quem gosta de ser vigiado e
submetido ao ridículo? Na guerra dos sexos, já deu para você
perceber, é difícil saber quem é mais ciumento, o homem ou a
mulher, já que o sentimento é universal. Uma coisa é certa:
Segundo Antonio Mourão, o homem fala menos a respeito do
problema "Eu digo que o ciúme masculino é ruminante; o homem
fica guardando consigo, até que em determinado momento
explode".
A fragilidade é a principal característica do ciumento, diz Antonio
Mourão "Por isso ele é tão possessivo e irracional", afirma.
"Para mim, o ciúme, mais que do amor, é fruto da paixão, um
sentimento muito mais quente, emocional, intempestivo". Na
verdade, poderíamos dizer que o ciúme é uma "doença da
paixão". “Muitas vezes incurável".
Mais que ser fruto do amor, ciúme doentio nasce com as
emoções fortes.
Ciúmes
Uma doença da paixão.
PENSO, LOGO EXISTO. Parafraseando a célebre idéia dos
filósofos gregos, pessoas também poderiam dizer: quem ama
sente ciúmes. Afinal, é comum pensarem que uma
coisa leva a outra, certo? Errado. É lógico que se
você sente um pouco de ciúme de seu amado, não tem motivos
para se preocupar. Isso é perfeitamente normal e até
saudável, coloca um certo tempero no relacionamento. O
problema é quando este sentimento assume proporções
gigantescas, doentias, sem que você consiga perceber que as
coisas estão passando dos limites. Segundo a psicóloga
Rosely Sayao, autora do livro "Sexo é Sexo", quando os
ciumentos chegam nesse ponto "eles quase sempre caminham
para a ruptura e para a solidão".
Ou seja: existe o risco de seu parceiro se encher da "marcação cerrada" e
"colocar as pernas para correr".Amor demais...Essa é a
justificativa que todo ciumento usa. "Para brigar por
qualquer motivo, para importunar nas horas impróprias, dando
"incertas", ligando para o emprego do coitado, quando ele
está no meio de uma reunião importante, enfim, para veemente
demonstrar que o ama desesperadamente".
Exclusividade total.
Sentimento de posse e medo (da perda da exclusividade, da ameaça da
entrada de uma terceira pessoa na relação) se misturam para
forjar o ciúme.
Segundo a psicóloga Heloisa Fleury, professora do instituto Sedes
Sapientiae, em São Paulo, "o pavor de perder o ser amado e
crença na propriedade sobre ele são faces da mesma moeda".
É fácil de entender que o ciúme doentio deriva, em grande parte, do
sentimento de posse que se tem sobre o outro.Se ele "é meu",
pensa o ciumento compulsivo, não pode ser de mais ninguém e,
para defender a "minha propriedade", eu posso tomar qualquer
atitude. Não passa pela cabeça dela que o outro é um
individuo dotado de vida própria, que as amizades dele sejam
só isso mesmo: simples amizade. Haverá sempre alguém
querendo roubar o que "lhe pertence". Aliás, quem sofrer de
ciúme doentio vê fantasmas em todos os cantos, nos menores
gestos e olhares mais inocentes. E o que é pior: sofre
tremendamente com isso.
Para o psicólogo Alberto Goldin, autor do livro "Histórias de amor e
sexo", as raízes do ciúme podem remontar a infância."Este
sentimento nasce quando, ainda crianças, são ameaçados (pelo
pai, pelos irmãos) de perder nosso lugar junto à mãe",
afirma ele.Para Heloisa Fleury, sentir-se assim faz parte do
desenvolvimento emocional da pessoa e é, até certo ponto,
"admirável". "Só que existem pessoas com maior dificuldade
de lidar com a ameaça".
O medo de perda não é uma coisa racional e, sim, ligada à emoção".
Já para o psiquiatra cearense Antonio Mourão Cavalcante,
autor do livro "O ciúme Patológico", as raízes podem ser
mais profundas. Parte dos portadores de ciúme doentio tem
uma história familiar complicada. “Ou o pai era muito
mulherengo, ou a mãe adúltera, fazendo com que o medo de ser
traído se tornasse uma preocupação constante em sua vida
adulta", afirma o terapeuta.
"Outro grupo é daqueles que, na infância foram sistematicamente
desqualificados pelos pais. A criança que a todo tempo é
classificada como idiota, burra, por exemplo, acaba
desenvolvendo um complexo de inferioridade".
Quando adultas, não entendem como podem despertar afeto em alguém, e
passam a acreditar que estão sendo enganadas, "ensina
Mourão". Por fim "diz ele", há aquele grupo de garanhões,
que acham que os outros homens vão fazer, com a sua mulher,
o que ele faz com a deles".
Racional ou não, ciúme doentio quase sempre acaba levando o outro, objeto
da espécie de amor exclusivista, ao desespero.Um dos
problemas que uma pessoa ciumenta causa: expor as parceiras
a situações, no mínimo, embaraçosas. Muitas vezes sem
intenção, é claro, já que ele não consegue colocar limites
em seus sentimentos e faz qualquer coisa para não perder. E
é aí que mora o perigo: suas atitudes acabam por afastar,
cada vez mais, o amado. Afinal, quem gosta de ser vigiado e
submetido ao ridículo? Na guerra dos sexos, já deu para você
perceber, é difícil saber quem é mais ciumento, o homem ou a
mulher, já que o sentimento é universal. Uma coisa é certa:
Segundo Antonio Mourão, o homem fala menos a respeito do
problema "Eu digo que o ciúme masculino é ruminante; o homem
fica guardando consigo, até que em determinado momento
explode".
A fragilidade é a principal característica do ciumento, diz
Antonio Mourão "Por isso ele é tão possessivo e irracional",
afirma. "Para mim, o ciúme, mais que do amor, é fruto da
paixão, um sentimento muito mais quente, emocional,
intempestivo". Na verdade, poderíamos dizer que o ciúme é
uma "doença da paixão". Muitas vezes incurável".
Mais que ser fruto do amor, ciúme doentio nasce com as
emoções fortes.
Mas eu me mordo de ciúmes!!
“Eu quero levar uma vida moderninha / Deixar minha menininha sair
sozinha / Não ser machista e não bancar o possessivo / Ser
mais seguro e não ser tão impulsivo / Mas eu me mordo de
ciúmes...” Você já deve ter ouvido essa música do Ultraje a
Rigor por aí, não? Ou, se não teve tanta sorte, já deve ter
passado por uma situação dessas. Ciúme, todo mundo tem, uns
num nível menor, desencanado, e outros num nível doentio,
ultrapassando o limite da “possessão” pelo outro.
“Uma época tentei controlar todos os meus passos para que
meu namorado não ficasse pegando excessivamente no meu pé,
mas não deu”, desabafa Kátia Franquini, 23 anos, estudante
de matemática. “Por mais que eu gostasse dele, toda hora
tinha um motivo novo para as brigas: ou a saia estava curta
demais, ou meu melhor amigo estava ‘muito amigo’, ou eram
meus pais que ligavam nas horas que a gente ia sair. Mesmo
noivos, chegou uma hora que não rolou mais, ele estava me
sufocando, e a razão falou mais alto. Dei um basta, doeu,
mas só assim para eu conseguir viver em paz”. Kátia ainda
descreve que o ex-noivo usava uma tática muito descabida de
razão. Sem motivo aparente e geralmente quando estavam à
sós, ele provocava ciúmes nela, falando de uma amiga que não
parava de telefonar – mesmo que a razão fosse outra. Ou
seja, o famoso blefe.
Ao contrário de Kátia, há casos como o de Rafael Sayuri, 25 anos,
advogado recém-formado. Ele se encaixa na categoria
desencanados, que preferem acreditar piamente na companheira
ao invés de exercer um controle absurdo sobre a pessoa com
quem divide a vida. “Ela mesmo às vezes me cobra ciúmes, o
que é uma coisa totalmente fora de cogitação”, explica
Sayuri. “Se eu não tenho ciúmes, é pelo simples motivo, que
por si só já é forte o suficiente, de acreditar nela, de ter
confiança na pessoa com quem divido minha vida, ainda mais
depois de casado. Eu me entreguei total, e não consigo
entender o porquê disso”. Mesmo se questionando, Sayuri
prescreve, com uma paciência mais do que oriental, quase uma
teoria sobre o ciúme e a relação das mulheres perante isso.
“O mais interessante da história toda é ver como as mulheres
reagem quando você não desperta ciúmes. E novamente volto a
dizer que não é por falta de amor, ao contrário, talvez seja
o excesso dele que me faz crer que ela não me trairia.
Confiança é o ponto-chave de tudo. Quem ama de verdade cede,
então ela é que tem que abrir mais o coração”.
Maria Flor Anzutegui, 25 anos, estudante de cinema, namorando há quase
dois anos, tem muito que falar sobre ciúmes além da conta.
“Ciúmes para mim sempre foi assunto delicado, de me fazer
perder o controle. Acho que grande parte é porque o tema
mexe diretamente com a vaidade, com a auto-estima e, o mais
importante, com o sentimento de posse”, afirma Maria Flor.
De acordo com a estudante, ninguém quer se sentir
desvalorizado pela pessoa amada, e nem ser “roubado”, mesmo
que não seja real, apenas coisa de sua cabeça. Ela mesma diz
que já tentou se policiar das mais diversas formas, até na
base da promessa para tentar ser menos ciumenta.
Tanto que seu nível de descontrole emocional e ciúmes uma vez lhe causou
constrangimentos. “O pior momento de todos foi num churrasco
da turma da faculdade. Uma das meninas mais assanhadas da
turma, que dava em cima do meu ex-namorado da forma mais
cara-de-pau possível, vinha toda hora brincar com ele e
oferecer bebida. Num momento em que fui buscar bebida, volto
e dou de cara com ela colocando a garrafa na boca do moço,
toda lânguida. Fiquei tão brava que tomei a garrafa da mão
dela e despejei todo o conteúdo da garrafa em sua cabeça!
Ela ficou fula da vida, mas eu precisava extravasar de
alguma forma”, conta Maria Flor.
O problema é quando o sentimento do ciumento põe à prova a liberdade do
seu parceiro. Como um rapaz querer privar sua namorada de
manter relações, por mais superficiais que sejam, com outros
homens, tamanha sua possessão. “Se a pessoa tem um nível de
ciúmes nesse grau, já é considerado problemático, e
provavelmente ela deverá entrar em contato com algum
especialista para que a situação, com os outros e consigo
próprio, não piore”, ensina Luciana de Albuquerque,
psicóloga clínica.
Para Luciana, “com esse crescimento da adolescência cada vez mais cedo,
os jovens ou tendem a serem completamente desencanados de
ciúme, ou o oposto disto, ou seja, o excesso dele. É óbvio
que o ciúme é natural, todo mundo tem, e ele é mais
acentuado nos primeiros relacionamentos da pessoa, mas no
caso dessa juventude precoce, existe aquele quadro de ciúme
competitivo na relação”.
Um jovem com quadro de ciúmes só causará preocupação quando as coisas que
realmente são importantes ficam em segundo plano. “Neste
caso de ciúmes em excesso, o estudo e a família, por
exemplo, sempre ficam pra depois. O que realmente diferencia
um ciúme normal do ciúme patológico é o limite entre uma
coisa e outra, o pesar em favor das coisas que realmente
fazem sentido na vida, não um excesso de concentração sobre
algo que uma hora ou outra some. Os relacionamentos são
assim mesmo e, sem amadurecimento, é difícil lidar com a
situação”, descreve Luciana.
Portanto, a melhor coisa a se fazer é encontrar uma válvula de escape
para que a situação não se torne catastrófica para você e
para o seu companheiro, e o ciúme acabe destruindo o amor de
vocês. A psicóloga dá a dica: “Se você se encaixa em algum
desses casos, relaxe. Relaxar é sempre a melhor coisa a se
fazer”.
Um câncer chamado ciúme
O ciúme corrompe a alma e arruína a vida de quem se deixa dominar por
ele.
Ele destrói relacionamentos e lentamente destrói o casal. Ambos sofrem
amargamente. O ciúme é agressivo e ameaçador, e assim se
torna quem o alimenta em sua alma. Assim como um câncer
extingue a vida, o ciúme corrompe a alma e arruína a vida de
quem se deixa dominar por ele.
Quem sofre com o ciúme doentio de alguém sabe muito bem o que é isso. O
ciumento sempre desconfia de algo. Ele abre
correspondências, ouve telefonemas, lê e-mails e mensagens
no celular; liga várias vezes para saber onde e com quem a
pessoa está. Confere carteiras, agenda, cadernos, bolsos e
bolsas. Cheira peças de roupas para ver se encontra algo
suspeito. Rasga, sem consentimento, fotos e cartas de
relacionamentos passados. Segue o parceiro para ver se o
mesmo está tendo um caso. Alguns chegam a contratar um
detetive particular.
O ciumento é egoísta. Ele exclui a pessoa do convívio com os outros,
inclusive dos familiares. Quer que a pessoa viva por conta
dele. Se o parceiro deseja trabalhar fora ou estudar, o
ciumento tenta impedir persuadindo ou ameaçando a pessoa.
O ciumento prefere ver o seu parceiro com o aspecto não muito agradável a
vê-lo despertando olhares alheios.
Em se tratando de ciúmes, isso ainda é pouco em vista do que relatou o
site “PsiqueWeb”. Abordando sobre o ciúme patológico o site
colocou alguns exemplos absurdos sobre o assunto. Pasme.
Segundo o site, um paciente – ciumento obsessivo – chegava a
examinar as fezes da namorada, procurando possíveis restos
de bilhetes engolidos (Torres, 1999 - Ballone GJ - Ciúme
Patológico - in. PsiqWeb Psiquiatria Geral)
Segundo informações do site, “o ciúme é um grande desejo de controle
total sobre os sentimentos e comportamentos do
companheiro(a). Há ainda preocupações excessivas sobre
relacionamentos anteriores, as quais podem ocorrer como
pensamentos repetitivos, imagens intrusivas e ruminações sem
fim sobre fatos passados e seus detalhes”. De acordo ainda
com o site “o ciúme pode se apresentar de formas distintas,
tais como idéias obsessivas, idéias prevalentes ou idéias
delirantes sobre a infidelidade”, informa.
O ciumento é capaz de colocar a vida do parceiro em risco. Muitos chegam
a agredir fisicamente. Como aconteceu com a modelo libanesa,
Karine Al Ití, 22 anos. O caso dela chocou o mundo.
Atualmente, a modelo vive no Brasil e tenta reconstruir o
rosto desfigurado pelo marido – ciumento obsessivo.
A tragédia na vida de Karine foi exibida pelo programa dominical
Fantástico (13/03/05), da Rede Globo. Segundo o programa,
Karine foi queimada numa banheira de água fervendo, pelo
marido, Mustafa Berri, que agora está preso numa cadeia em
Beirute. Ele é acusado de tentativa de homicídio e pode ser
condenado à prisão perpétua. “Fisicamente, ela está
deformada. Não tem nada a ver com aquela moça bonita que era
modelo”, descreve a psiquiatra Maria Cristina Lombardo ao
programa Fantástico.
“O amor não arde em ciúmes”
Pertinente observar o que está escrito na primeira carta de Paulo aos
Coríntios, capítulo 13, versículo 4: “O amor é paciente, é
benigno; o amor não arde em ciúmes...” Esta última frase é
uma resposta aos corações inflados pelo ciúme. No fundo no
fundo todo mundo sente ciúme. Só que algumas pessoas
conseguem controlá-lo, não permitem que ele se transforme em
fogo devastador. É o chamado ‘ciúme normal’, aquele que zela
pela pessoa quista. Outras, no entanto, são violentas,
provocam escândalos, têm comportamentos compulsivos –
considerados pela psiquiatria como doença. Este tipo de
ciúme acaba com qualquer relacionamento, pois o ciúme acende
o fogo da destruição, mas o verdadeiro amor pode apagá-lo.
O ciúme é um dos sentimentos que mais atrapalha as relações humanas. Não
é sem motivo que o francês Michel Montaigne disse que “o
ciúme é, dentre todas as doenças do espírito, aquela à qual
mais coisas servem de alimentos, e, nenhuma de remédios”.
O ciúme alimenta a desconfiança, traz discórdias e sofrimento. Existem
pessoas que não usufruem o melhor do relacionamento, pois
passam o tempo todo sofrendo, sempre pensando no pior;
imaginando se está sendo traído ou não.
Muitas pessoas acreditam que o ciúme é prova de amor. Só que existem
outras formas de se mostrar amor! O zelo, por exemplo, é uma
delas. Zelar é, em primeiro lugar, gostar e confiar em si
mesmo. É cuidar da própria vida, não deixando que o ciúme
ultrapasse os limites do bom senso, se tornando uma doença
que destrói o corpo, a alma e o espírito. É zelar para que
Deus seja o pilar de sustentação do relacionamento de modo a
confiar em si e na pessoa amada.
A insegurança e a desconfiança, provocados pelo ciúme, tenderão a
aumentar a cada dia. Procurar ajuda, já é um grande passo na
luta contra esse mal que ameaça constantemente os
relacionamentos.
A DOENÇA DO AMOR
Francisco Maia Júnior
Por que o ciúme muitas vezes interfere e domina as relações entre as
pessoas? Como na dinâmica dos processos relacionais torna-se
um sentimento patológico, ou seja, em que momento se torna
doentio, mórbido? Não são perguntas de fáceis respostas,
visto que o ciúme existe nas suas mais variadas formas desde
os mais remotos tempos, e se não tem um caráter universal,
certamente afeta grande parte da humanidade. Os mitos já nos
falam dos tempestuosos ciúmes dos deuses, verdadeiros
cataclismos do amor que também são sentidos pelo comum dos
mortais.
O ciúme segue o amor como a sombra segue o homem. É um amor doloroso onde
o individuo vive as exigências de uma possessividade, e
surge através de intensas ligações com o objeto amado
gerando um sentimento de exclusividade, mostrando assim, o
medo da perda da pessoa amada.
O ciúme corrói o sentimento amoroso em sua base e destrói com uma raiva
furiosa as suas próprias raízes, gerando um desejo intenso
de conservar aquilo que consideramos nosso, e induzindo o
indivíduo a comportamentos persecutórios, de defesa ou
isolamento.
Essa insegurança tem quase sempre por base as ideações, ou seja, o
sujeito amoroso cria uma imagem do amado que nem sempre
corresponde ao real, o ciumento idealiza o ser ideal, e na
medida em que o outro aceita essa imagem idealizada, tudo
corre bem, mas, no entanto a partir do momento em que não
haja uma correspondência da imagem projetada, quando o
objeto amado começa a expressar a sua identidade e autonomia
mostrando seus verdadeiros aspectos, começam as suspeitas. A
possibilidade da perda de algo que é meu é inaceitável.
Surge o ciúme. A impressão evidente é a de que a confiança
foi abalada, há pouco tempo atrás ele olhava o ser amado
como para uma coisa sua, uma propriedade conquistada.
Julgava ser o dono, tinha confiança, mas agora que perdeu a
confiança, tortura-o o sofrimento.
Inicia-se assim, num crescendo, o ciúme patológico, provocando sofrimento
violento na vida do casal, estabelecendo assim uma relação
sufocante, interferindo no trabalho, nas relações sociais e
na família. As restrições e atitudes de desconfiança vão se
amiudando, e se tornando sistemáticas, definindo assim uma
condição patológica.
Na modernidade ocorreram e ocorrem várias mudanças estruturais e
familiares. A vida urbana é impessoal. No processo de
urbanização há um retrocesso do significado de família, da
moralidade tradicional e da autoridade religiosa. Abrem-se
nítidos espaços na textura da sociedade, com reflexos
diretos na dinâmica familiar e, mais especificamente, nas
relações entre casais.
Onde existia um modelo de família patriarcal, hoje existe a família em
que as responsabilidades do casal são divididas. É o espaço
privado que toma uma forma que permite uma maior
participação e decisão da mulher, inserida no mercado de
trabalho e em atividades que até um tempo atrás eram
exclusividade dos homens.
Se para indivíduos predispostos, ou melhor, adaptados às mudanças, esse
tempo traz a possibilidade de melhores arranjos e
criatividade, relações mais dinâmicas e construtivas,
contudo, para personalidades de caráter persecutório,
impregnadas de ciúme, essa nova perspectiva é vivenciada
como uma enorme ameaça, e a personalidade fragilizada não
aceita, não admite em hipótese alguma a possibilidade de
mudança.
Hoje ela me ama, mas quem garante amanhã? Nietzche, o famoso filósofo
alemão, exemplificou muito bem o medo da perda do amor
quando diz: “Todo grande amor faz nascer a idéia cruel de
destruir o objeto desse amor, a fim de subtrair, para
sempre, ao jogo sacrílego das mudanças, porque o amor teme
mais as mudanças que a destruição”.
Aqueles que sentem um grande ciúme, não conseguem amar, mais precisam
sentir que são amados. Quando perdem o objeto do seu amor
doentio, tentam sem maiores delongas encontrar substituto do
parceiro perdido, pois a perda é sentida como insuportável.
Essa atitude pode aumentar o ciúme, pois o desejo de achar
um novo parceiro é projetado e o paciente crê que os
parceiros é que estão procurando novo objeto.
É interessante frisar que a vida do ciumento mórbido é marcada por uma
infância e adolescência muito traumáticas. Nela, geralmente,
vamos encontrar uma história dolorosa de relacionamento
conjugal dos pais, ou vivências entre pais e filhos
extremamente traumáticas, bem como iniciação sexual e
eventos patológicos que sinalizam as futuras condutas de
delírio de ciúme.
Otto Fenichel, grande teórico da psicanálise, nos diz que o delírio de
ciúme difere do ciúme normal ou neurótico pelo fato de se
mostrar sem nenhuma justificação objetiva. Também diz que na
análise revelá-se que muitos pacientes suspeitando da
mulher, estão de fato interessados em outro homem e lutam
por se livrarem da sua homossexualidade usando a projeção e
ruminando pensamentos tormentosos de índole ciumenta que
conduzem a imagens de cenas amorosas entre a parceira e a
terceira pessoa.
Bem, uma coisa é certa, não há ciumento feliz. Toda sua luta parece
consistir na tentativa de assegurar um discurso de segurança
onde só existem dúvidas e incertezas. As dificuldades de
construir certezas para si mesmo causam infelicidade e
eterno sofrimento.
Como vimos, não é fácil se precisar as razões do ciúme e estabelecer uma
terapia totalmente eficaz na resolução do problema.
No entanto, deve-se levar em conta o quadro psíquico do
indivíduo, sinais e sintomas inquietantes, o seu
comportamento, a vivência das suas relações sociais,
familiares e conjugais. Nesse contexto, a escuta é
instrumento fundamental para toda ação terapêutica que possa
ser estabelecida depois. Não se trata exatamente de curar
uma doença, mas de compreender mais que um sofrimento, uma
história de vida.