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CIÚMES

 

Na relação com seu (a) parceiro (a) você:

1- Vigia todos os passos
2- Controla os amigos
3- Desdobra-se para mantê-lo ao seu lado
4- Cerceia a liberdade do outro
5- Fantasia coisas.
6- Briga com freqüência
7- Se ele marca um horário e se atrasa 5 min você já desconfia.

  Se você apresentar a maioria das características relacionadas acima, cuidado, pode estar sofrendo de ciúme exagerado, doentio. Você está sufocando a relação e pode por fim ao relacionamento. Ter ciúme, zelo e interesse pelo parceiro é natural e compreensível, até saudável, mas existe uma limitação. Não podemos nos apropriar do amor do outro. O amor é uma conquista de cada dia.
  O ciúme doentio cega a pessoa e impede que o limite e a individualidade do parceiro sejam reconhecidos e respeitados. O ciúme atinge homens e mulheres, mas há certa diferença: A mulher facilmente grita para salvar a relação, o homem reage menos. Este mal que “mata” a relação está diretamente relacionado com a auto – estima e a insegurança. Sentir ciúmes dentro dos limites desejados, mantém as pessoas zelosas e atentas com a relação e consigo mesma, sem empobrecer o amor.Quando bem empregado, tempera o relacionamento.
  A melhor forma para lutar contra o ciúme é a busca da auto-segurança e do amor-próprio.
Aprenda a dosar o ciúme. Não coloque de lado o que dá prazer no relacionamento para ficar espreitando, espionando fatos e coisas e buscando infidelidades onde, talvez, nem exista. Procure estar sempre perto da pessoa que ama. Não para controlar, mas sim para participar mais da vida dela. E, principalmente, abasteça-se de si mesma e partilhe com o outro o que tiver de melhor. Para se manter um relacionamento saudável, a pessoa tem que ter paz de espírito, estar de bem com o mundo, mostrar-se viva e feliz.
  Faça uma auto-análise, verifique que tipo de relacionamentos você tem estabelecido em sua vida, que tipo contribuições você tem deixado nos relacionamentos, que tipo de pessoa você é.
  Sendo ciumenta(o) demais você corre o risco de seu parceiro se encher da "marcação cerrada" e "colocar as pernas para correr".
Sentimento de posse e medo (da perda da exclusividade, da ameaça da entrada de uma terceira pessoa na relação) se misturam disfarçadas em ciúme.
  Quem sofre de ciúme doentio vê fantasmas em todos os cantos, nos menores gestos e olhares mais inocentes... O medo de perda não é uma coisa racional e, sim, ligada à emoção. Parte dos portadores de ciúme doentio tem uma história familiar complicada. Ciúme doentio quase sempre acaba levando o outro, objeto da espécie de amor exclusivista, ao desespero. Um dos problemas que uma pessoa ciumenta causa: expor as parceiras a situações, no mínimo, embaraçosas. Muitas vezes sem intenção, é claro, já que ele não consegue colocar limites em seus sentimentos e faz qualquer coisa para não perder. E é aí que mora o perigo: suas atitudes acabam por afastar, cada vez mais, o amado.Afinal, quem gosta de ser vigiado e submetido ao ridículo? Na guerra dos sexos, já deu para você perceber, é difícil saber quem é mais ciumento, o homem ou a mulher, já que o sentimento é universal. Uma coisa é certa: Segundo Antonio Mourão, o homem fala menos a respeito do problema "Eu digo que o ciúme masculino é ruminante; o homem fica guardando consigo, até que em determinado momento explode".
  A fragilidade é a principal característica do ciumento, diz Antonio Mourão "Por isso ele é tão possessivo e irracional", afirma. "Para mim, o ciúme, mais que do amor, é fruto da paixão, um sentimento muito mais quente, emocional, intempestivo". Na verdade, poderíamos dizer que o ciúme é uma "doença da paixão". “Muitas vezes incurável".
Mais que ser fruto do amor, ciúme doentio nasce com as emoções fortes.

Ciúmes
Uma doença da paixão.

PENSO, LOGO EXISTO. Parafraseando a célebre idéia dos filósofos gregos, pessoas também poderiam dizer: quem ama sente ciúmes.   Afinal, é comum pensarem que uma coisa leva a outra, certo? Errado.  É lógico que se você sente um pouco de ciúme de seu amado, não tem motivos para se preocupar. Isso é perfeitamente normal e até saudável, coloca um certo tempero no relacionamento. O problema é quando este sentimento assume proporções gigantescas, doentias, sem que você consiga perceber que as coisas estão passando dos limites. Segundo a psicóloga Rosely Sayao, autora do livro "Sexo é Sexo", quando os ciumentos chegam nesse ponto "eles quase sempre caminham para a ruptura e para a solidão".
  Ou seja: existe o risco de seu parceiro se encher da "marcação cerrada" e "colocar as pernas para correr".Amor demais...Essa é a justificativa que todo ciumento usa. "Para brigar por qualquer motivo, para importunar nas horas impróprias, dando "incertas", ligando para o emprego do coitado, quando ele está no meio de uma reunião importante, enfim, para veemente demonstrar que o ama desesperadamente".

Exclusividade total.
 
Sentimento de posse e medo (da perda da exclusividade, da ameaça da entrada de uma terceira pessoa na relação) se misturam para forjar o ciúme.
  Segundo a psicóloga Heloisa Fleury, professora do instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, "o pavor de perder o ser amado e crença na propriedade sobre ele são faces da mesma moeda".
  É fácil de entender que o ciúme doentio deriva, em grande parte, do sentimento de posse que se tem sobre o outro.Se ele "é meu", pensa o ciumento compulsivo, não pode ser de mais ninguém e, para defender a "minha propriedade", eu posso tomar qualquer atitude. Não passa pela cabeça dela que o outro é um individuo dotado de vida própria, que as amizades dele sejam só isso mesmo: simples amizade.  Haverá sempre alguém querendo roubar o que "lhe pertence". Aliás, quem sofrer de ciúme doentio vê fantasmas em todos os cantos, nos menores gestos e olhares mais inocentes. E o que é pior: sofre tremendamente com isso.
  Para o psicólogo Alberto Goldin, autor do livro "Histórias de amor e sexo", as raízes do ciúme podem remontar a infância."Este sentimento nasce quando, ainda crianças, são ameaçados (pelo pai, pelos irmãos) de perder nosso lugar junto à mãe", afirma ele.Para Heloisa Fleury, sentir-se assim faz parte do desenvolvimento emocional da pessoa e é, até certo ponto, "admirável". "Só que existem pessoas com maior dificuldade de lidar com a ameaça".
  O medo de perda não é uma coisa racional e, sim, ligada à emoção".  Já para o psiquiatra cearense Antonio Mourão Cavalcante, autor do livro "O ciúme Patológico", as raízes podem ser mais profundas. Parte dos portadores de ciúme doentio tem uma história familiar complicada. “Ou o pai era muito mulherengo, ou a mãe adúltera, fazendo com que o medo de ser traído se tornasse uma preocupação constante em sua vida adulta", afirma o terapeuta.
 "Outro grupo é daqueles que, na infância foram sistematicamente desqualificados pelos pais. A criança que a todo tempo é classificada como idiota, burra, por exemplo, acaba desenvolvendo um complexo de inferioridade".
  Quando adultas, não entendem como podem despertar afeto em alguém, e passam a acreditar que estão sendo enganadas, "ensina Mourão". Por fim "diz ele", há aquele grupo de garanhões, que acham que os outros homens vão fazer, com a sua mulher, o que ele faz com a deles".
  Racional ou não, ciúme doentio quase sempre acaba levando o outro, objeto da espécie de amor exclusivista, ao desespero.Um dos problemas que uma pessoa ciumenta causa: expor as parceiras a situações, no mínimo, embaraçosas. Muitas vezes sem intenção, é claro, já que ele não consegue colocar limites em seus sentimentos e faz qualquer coisa para não perder. E é aí que mora o perigo: suas atitudes acabam por afastar, cada vez mais, o amado. Afinal, quem gosta de ser vigiado e submetido ao ridículo? Na guerra dos sexos, já deu para você perceber, é difícil saber quem é mais ciumento, o homem ou a mulher, já que o sentimento é universal. Uma coisa é certa: Segundo Antonio Mourão, o homem fala menos a respeito do problema "Eu digo que o ciúme masculino é ruminante; o homem fica guardando consigo, até que em determinado momento explode".
A fragilidade é a principal característica do ciumento, diz Antonio Mourão "Por isso ele é tão possessivo e irracional", afirma. "Para mim, o ciúme, mais que do amor, é fruto da paixão, um sentimento muito mais quente, emocional, intempestivo". Na verdade, poderíamos dizer que o ciúme é uma "doença da paixão". Muitas vezes incurável".
Mais que ser fruto do amor, ciúme doentio nasce com as emoções fortes.

Mas eu me mordo de ciúmes!!
 
“Eu quero levar uma vida moderninha / Deixar minha menininha sair sozinha / Não ser machista e não bancar o possessivo / Ser mais seguro e não ser tão impulsivo / Mas eu me mordo de ciúmes...” Você já deve ter ouvido essa música do Ultraje a Rigor por aí, não? Ou, se não teve tanta sorte, já deve ter passado por uma situação dessas. Ciúme, todo mundo tem, uns num nível menor, desencanado, e outros num nível doentio, ultrapassando o limite da “possessão” pelo outro.
“Uma época tentei controlar todos os meus passos para que meu namorado não ficasse pegando excessivamente no meu pé, mas não deu”, desabafa Kátia Franquini, 23 anos, estudante de matemática. “Por mais que eu gostasse dele, toda hora tinha um motivo novo para as brigas: ou a saia estava curta demais, ou meu melhor amigo estava ‘muito amigo’, ou eram meus pais que ligavam nas horas que a gente ia sair. Mesmo noivos, chegou uma hora que não rolou mais, ele estava me sufocando, e a razão falou mais alto. Dei um basta, doeu, mas só assim para eu conseguir viver em paz”. Kátia ainda descreve que o ex-noivo usava uma tática muito descabida de razão. Sem motivo aparente e geralmente quando estavam à sós, ele provocava ciúmes nela, falando de uma amiga que não parava de telefonar – mesmo que a razão fosse outra. Ou seja, o famoso blefe.
  Ao contrário de Kátia, há casos como o de Rafael Sayuri, 25 anos, advogado recém-formado. Ele se encaixa na categoria desencanados, que preferem acreditar piamente na companheira ao invés de exercer um controle absurdo sobre a pessoa com quem divide a vida. “Ela mesmo às vezes me cobra ciúmes, o que é uma coisa totalmente fora de cogitação”, explica Sayuri. “Se eu não tenho ciúmes, é pelo simples motivo, que por si só já é forte o suficiente, de acreditar nela, de ter confiança na pessoa com quem divido minha vida, ainda mais depois de casado. Eu me entreguei total, e não consigo entender o porquê disso”. Mesmo se questionando, Sayuri prescreve, com uma paciência mais do que oriental, quase uma teoria sobre o ciúme e a relação das mulheres perante isso. “O mais interessante da história toda é ver como as mulheres reagem quando você não desperta ciúmes. E novamente volto a dizer que não é por falta de amor, ao contrário, talvez seja o excesso dele que me faz crer que ela não me trairia. Confiança é o ponto-chave de tudo. Quem ama de verdade cede, então ela é que tem que abrir mais o coração”.
  Maria Flor Anzutegui, 25 anos, estudante de cinema, namorando há quase dois anos, tem muito que falar sobre ciúmes além da conta. “Ciúmes para mim sempre foi assunto delicado, de me fazer perder o controle. Acho que grande parte é porque o tema mexe diretamente com a vaidade, com a auto-estima e, o mais importante, com o sentimento de posse”, afirma Maria Flor. De acordo com a estudante, ninguém quer se sentir desvalorizado pela pessoa amada, e nem ser “roubado”, mesmo que não seja real, apenas coisa de sua cabeça. Ela mesma diz que já tentou se policiar das mais diversas formas, até na base da promessa para tentar ser menos ciumenta.
  Tanto que seu nível de descontrole emocional e ciúmes uma vez lhe causou constrangimentos. “O pior momento de todos foi num churrasco da turma da faculdade. Uma das meninas mais assanhadas da turma, que dava em cima do meu ex-namorado da forma mais cara-de-pau possível, vinha toda hora brincar com ele e oferecer bebida. Num momento em que fui buscar bebida, volto e dou de cara com ela colocando a garrafa na boca do moço, toda lânguida. Fiquei tão brava que tomei a garrafa da mão dela e despejei todo o conteúdo da garrafa em sua cabeça! Ela ficou fula da vida, mas eu precisava extravasar de alguma forma”, conta Maria Flor.
  O problema é quando o sentimento do ciumento põe à prova a liberdade do seu parceiro. Como um rapaz querer privar sua namorada de manter relações, por mais superficiais que sejam, com outros homens, tamanha sua possessão. “Se a pessoa tem um nível de ciúmes nesse grau, já é considerado problemático, e provavelmente ela deverá entrar em contato com algum especialista para que a situação, com os outros e consigo próprio, não piore”, ensina Luciana de Albuquerque, psicóloga clínica.
  Para Luciana, “com esse crescimento da adolescência cada vez mais cedo, os jovens ou tendem a serem completamente desencanados de ciúme, ou o oposto disto, ou seja, o excesso dele. É óbvio que o ciúme é natural, todo mundo tem, e ele é mais acentuado nos primeiros relacionamentos da pessoa, mas no caso dessa juventude precoce, existe aquele quadro de ciúme competitivo na relação”.
  Um jovem com quadro de ciúmes só causará preocupação quando as coisas que realmente são importantes ficam em segundo plano. “Neste caso de ciúmes em excesso, o estudo e a família, por exemplo, sempre ficam pra depois. O que realmente diferencia um ciúme normal do ciúme patológico é o limite entre uma coisa e outra, o pesar em favor das coisas que realmente fazem sentido na vida, não um excesso de concentração sobre algo que uma hora ou outra some. Os relacionamentos são assim mesmo e, sem amadurecimento, é difícil lidar com a situação”, descreve Luciana.
  Portanto, a melhor coisa a se fazer é encontrar uma válvula de escape para que a situação não se torne catastrófica para você e para o seu companheiro, e o ciúme acabe destruindo o amor de vocês. A psicóloga dá a dica: “Se você se encaixa em algum desses casos, relaxe. Relaxar é sempre a melhor coisa a se fazer”.

Um câncer chamado ciúme
  O ciúme corrompe a alma e arruína a vida de quem se deixa dominar por ele.
  Ele destrói relacionamentos e lentamente destrói o casal. Ambos sofrem amargamente. O ciúme é agressivo e ameaçador, e assim se torna quem o alimenta em sua alma. Assim como um câncer extingue a vida, o ciúme corrompe a alma e arruína a vida de quem se deixa dominar por ele.
  Quem sofre com o ciúme doentio de alguém sabe muito bem o que é isso. O ciumento sempre desconfia de algo. Ele abre correspondências, ouve telefonemas, lê e-mails e mensagens no celular; liga várias vezes para saber onde e com quem a pessoa está. Confere carteiras, agenda, cadernos, bolsos e bolsas. Cheira peças de roupas para ver se encontra algo suspeito. Rasga, sem consentimento, fotos e cartas de relacionamentos passados. Segue o parceiro para ver se o mesmo está tendo um caso. Alguns chegam a contratar um detetive particular.
  O ciumento é egoísta. Ele exclui a pessoa do convívio com os outros, inclusive dos familiares. Quer que a pessoa viva por conta dele. Se o parceiro deseja trabalhar fora ou estudar, o ciumento tenta impedir persuadindo ou ameaçando a pessoa.
  O ciumento prefere ver o seu parceiro com o aspecto não muito agradável a vê-lo despertando olhares alheios.
  Em se tratando de ciúmes, isso ainda é pouco em vista do que relatou o site “PsiqueWeb”. Abordando sobre o ciúme patológico o site colocou alguns exemplos absurdos sobre o assunto. Pasme. Segundo o site, um paciente – ciumento obsessivo – chegava a examinar as fezes da namorada, procurando possíveis restos de bilhetes engolidos (Torres, 1999 - Ballone GJ - Ciúme Patológico - in. PsiqWeb Psiquiatria Geral)
  Segundo informações do site, “o ciúme é um grande desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do companheiro(a). Há ainda preocupações excessivas sobre relacionamentos anteriores, as quais podem ocorrer como pensamentos repetitivos, imagens intrusivas e ruminações sem fim sobre fatos passados e seus detalhes”. De acordo ainda com o site “o ciúme pode se apresentar de formas distintas, tais como idéias obsessivas, idéias prevalentes ou idéias delirantes sobre a infidelidade”, informa.
  O ciumento é capaz de colocar a vida do parceiro em risco. Muitos chegam a agredir fisicamente. Como aconteceu com a modelo libanesa, Karine Al Ití, 22 anos. O caso dela chocou o mundo. Atualmente, a modelo vive no Brasil e tenta reconstruir o rosto desfigurado pelo marido – ciumento obsessivo.
  A tragédia na vida de Karine foi exibida pelo programa dominical Fantástico (13/03/05), da Rede Globo. Segundo o programa, Karine foi queimada numa banheira de água fervendo, pelo marido, Mustafa Berri, que agora está preso numa cadeia em Beirute. Ele é acusado de tentativa de homicídio e pode ser condenado à prisão perpétua. “Fisicamente, ela está deformada. Não tem nada a ver com aquela moça bonita que era modelo”, descreve a psiquiatra Maria Cristina Lombardo ao programa Fantástico.

“O amor não arde em ciúmes”
  Pertinente observar o que está escrito na primeira carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 13, versículo 4: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes...” Esta última frase é uma resposta aos corações inflados pelo ciúme. No fundo no fundo todo mundo sente ciúme. Só que algumas pessoas conseguem controlá-lo, não permitem que ele se transforme em fogo devastador. É o chamado ‘ciúme normal’, aquele que zela pela pessoa quista. Outras, no entanto, são violentas, provocam escândalos, têm comportamentos compulsivos – considerados pela psiquiatria como doença. Este tipo de ciúme acaba com qualquer relacionamento, pois o ciúme acende o fogo da destruição, mas o verdadeiro amor pode apagá-lo.
  O ciúme é um dos sentimentos que mais atrapalha as relações humanas. Não é sem motivo que o francês Michel Montaigne disse que “o ciúme é, dentre todas as doenças do espírito, aquela à qual mais coisas servem de alimentos, e, nenhuma de remédios”.
  O ciúme alimenta a desconfiança, traz discórdias e sofrimento. Existem pessoas que não usufruem o melhor do relacionamento, pois passam o tempo todo sofrendo, sempre pensando no pior; imaginando se está sendo traído ou não.
  Muitas pessoas acreditam que o ciúme é prova de amor. Só que existem outras formas de se mostrar amor! O zelo, por exemplo, é uma delas. Zelar é, em primeiro lugar, gostar e confiar em si mesmo. É cuidar da própria vida, não deixando que o ciúme ultrapasse os limites do bom senso, se tornando uma doença que destrói o corpo, a alma e o espírito. É zelar para que Deus seja o pilar de sustentação do relacionamento de modo a confiar em si e na pessoa amada.
  A insegurança e a desconfiança, provocados pelo ciúme, tenderão a aumentar a cada dia. Procurar ajuda, já é um grande passo na luta contra esse mal que ameaça constantemente os relacionamentos.

A DOENÇA DO AMOR
Francisco Maia Júnior
  Por que o ciúme muitas vezes interfere e domina as relações entre as pessoas? Como na dinâmica dos processos relacionais torna-se um sentimento patológico, ou seja, em que momento se torna doentio, mórbido? Não são perguntas de fáceis respostas, visto que o ciúme existe nas suas mais variadas formas desde os mais remotos tempos, e se não tem um caráter universal, certamente afeta grande parte da humanidade. Os mitos já nos falam dos tempestuosos ciúmes dos deuses, verdadeiros cataclismos do amor que também são sentidos pelo comum dos mortais.
  O ciúme segue o amor como a sombra segue o homem. É um amor doloroso onde o individuo vive as exigências de uma possessividade, e surge através de intensas ligações com o objeto amado gerando um sentimento de exclusividade, mostrando assim, o medo da perda da pessoa amada.
  O ciúme corrói o sentimento amoroso em sua base e destrói com uma raiva furiosa as suas próprias raízes, gerando um desejo intenso de conservar aquilo que consideramos nosso, e induzindo o indivíduo a comportamentos persecutórios, de defesa ou isolamento.
  Essa insegurança tem quase sempre por base as ideações, ou seja, o sujeito amoroso cria uma imagem do amado que nem sempre corresponde ao real, o ciumento idealiza o ser ideal, e na medida em que o outro aceita essa imagem idealizada, tudo corre bem, mas, no entanto a partir do momento em que não haja uma correspondência da imagem projetada, quando o objeto amado começa a expressar a sua identidade e autonomia mostrando seus verdadeiros aspectos, começam as suspeitas. A possibilidade da perda de algo que é meu é inaceitável. Surge o ciúme. A impressão evidente é a de que a confiança foi abalada, há pouco tempo atrás ele olhava o ser amado como para uma coisa sua, uma propriedade conquistada. Julgava ser o dono, tinha confiança, mas agora que perdeu a confiança, tortura-o o sofrimento.
  Inicia-se assim, num crescendo, o ciúme patológico, provocando sofrimento violento na vida do casal, estabelecendo assim uma relação sufocante, interferindo no trabalho, nas relações sociais e na família. As restrições e atitudes de desconfiança vão se amiudando, e se tornando sistemáticas, definindo assim uma condição patológica.
  Na modernidade ocorreram e ocorrem várias mudanças estruturais e familiares. A vida urbana é impessoal. No processo de urbanização há um retrocesso do significado de família, da moralidade tradicional e da autoridade religiosa. Abrem-se nítidos espaços na textura da sociedade, com reflexos diretos na dinâmica familiar e, mais especificamente, nas relações entre casais.
  Onde existia um modelo de família patriarcal, hoje existe a família em que as responsabilidades do casal são divididas. É o espaço privado que toma uma forma que permite uma maior participação e decisão da mulher, inserida no mercado de trabalho e em atividades que até um tempo atrás eram exclusividade dos homens.
  Se para indivíduos predispostos, ou melhor, adaptados às mudanças, esse tempo traz a possibilidade de melhores arranjos e criatividade, relações mais dinâmicas e construtivas, contudo, para personalidades de caráter persecutório, impregnadas de ciúme, essa nova perspectiva é vivenciada como uma enorme ameaça, e a personalidade fragilizada não aceita, não admite em hipótese alguma a possibilidade de mudança.
  Hoje ela me ama, mas quem garante amanhã? Nietzche, o famoso filósofo alemão, exemplificou muito bem o medo da perda do amor quando diz: “Todo grande amor faz nascer a idéia cruel de destruir o objeto desse amor, a fim de subtrair, para sempre, ao jogo sacrílego das mudanças, porque o amor teme mais as mudanças que a destruição”.
  Aqueles que sentem um grande ciúme, não conseguem amar, mais precisam sentir que são amados. Quando perdem o objeto do seu amor doentio, tentam sem maiores delongas encontrar substituto do parceiro perdido, pois a perda é sentida como insuportável. Essa atitude pode aumentar o ciúme, pois o desejo de achar um novo parceiro é projetado e o paciente crê que os parceiros é que estão procurando novo objeto.
  É interessante frisar que a vida do ciumento mórbido é marcada por uma infância e adolescência muito traumáticas. Nela, geralmente, vamos encontrar uma história dolorosa de relacionamento conjugal dos pais, ou vivências entre pais e filhos extremamente traumáticas, bem como iniciação sexual e eventos patológicos que sinalizam as futuras condutas de delírio de ciúme.
  Otto Fenichel, grande teórico da psicanálise, nos diz que o delírio de ciúme difere do ciúme normal ou neurótico pelo fato de se mostrar sem nenhuma justificação objetiva. Também diz que na análise revelá-se que muitos pacientes suspeitando da mulher, estão de fato interessados em outro homem e lutam por se livrarem da sua homossexualidade usando a projeção e ruminando pensamentos tormentosos de índole ciumenta que conduzem a imagens de cenas amorosas entre a parceira e a terceira pessoa.
  Bem, uma coisa é certa, não há ciumento feliz. Toda sua luta parece consistir na tentativa de assegurar um discurso de segurança onde só existem dúvidas e incertezas. As dificuldades de construir certezas para si mesmo causam infelicidade e eterno sofrimento.
  Como vimos, não é fácil se precisar as razões do ciúme e estabelecer uma terapia totalmente eficaz na resolução do problema.   No entanto, deve-se levar em conta o quadro psíquico do indivíduo, sinais e sintomas inquietantes, o seu comportamento, a vivência das suas relações sociais, familiares e conjugais. Nesse contexto, a escuta é instrumento fundamental para toda ação terapêutica que possa ser estabelecida depois. Não se trata exatamente de curar uma doença, mas de compreender mais que um sofrimento, uma história de vida.


 

 

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